segunda-feira, 11 de maio de 2009

Não quero ver ninguém!!
Não quero nada, não quero absolutamente nada!
Quero meu quarto escuro, minha cama quente e meu travesseiro fofo
E chorar


Chorar chorar e chorar
A fim de lavar tudo que está engasgado
Fincado no peito
Preso na alma

Não, na verdade não quero isso.
Não dessa forma solidária.
Quero minha mãe.
A coisa mais manjada e infantil do mundo: EU QUERO A MINHA MÃE

Quero deitar no colo dela, chorar sem parar
Quero lamentar minhas derrotas
Sangrar meu desespero
Rasgar toda a dor que há dentro do meu ser

Quero aquela voz doce me consolando
Aqueles olhos zelosos dizendo que tudo ficará bem
A mão tranquilizante por meus cabelos
O abraço acolhedor, aquele que uma vez envolta nele, ninguém nessa merda de mundo me atingirá

Cansei de fingir ter uma estrutura que não tenho.
Cansei de vestir máscaras.
Nos seus braços eu sou eu mãe!
Sou eu sem condições ou limites!
Sofro! Grito! Esperneio!

E me acalmo.
Volta a racionalidade.
Volta a pessoa que o mundo quer ver.
Mais um dia, mais um teatro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

E o que era sólido ruiu
Esfarelou-se
Virou pó
O inabalável se abalou
Fraquejou, desfez seus laços

E por que?
Me diga, por que?
A resposta cala diante de meus olhos.
As ações me assustam. Por mais que eu minta
Dói
Sangra
Rasga

Mais questionamentos.
Por que???
Por que dói tanto?
Por que incomoda?
Por que faz falta o riso, o abraço?
A cumplicidade, a compreensão?

Estranho não é?
Uma coisa tão recente se tornar tão essencial
Segredos da humanidade
Um desligamento repentino
Uma mundança drástica

Um novo ciclo adiante
Novos laços, talvez?
Que seja feita a sua vontade

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ônibus a balançar.
Pessoas pensam, ouvem música, leem.
Eu leio Machado de Assis.
Grande escritor.
Mais de um século que partiu.
E ainda encanta.
ME ENCANTA.


Ônibus a balançar.
O barulho não me incomoda.
Trânsito, buzinas, transeuntes?
Tampouco.
Meu incomodo é silêncioso.
É íntimo. É interno.


Tento e consigo me distrair com Brás Cubas. Ah Machado de Assis!
Mas algo me puxa para a realidade de forma brutal.
Uma música.
A voz doce atravessa meus ouvidos e finda em meu peito.
Retiro os olhos do livro. Procuro de onde vem aquele som.
Atrás de mim há uma mãe e seu filhinho. Ambos de olhos azuis e rosto sereno. Poderia chamá-los de anjos, se assim quisesse.

A mãe, conta o verso de uma canção, esta que desconheço.
O garotinho, continua aquele aquele mesmo verso, dando sequencia à outro.


A bela mulher nota meu olhar.
Sorrio em sinal de aprovação
Ela sorri de volta.
Deve ter percebido que olhava para eles com emoção.
Pouso os olhos sob o livro.
Quero chorar.
A emoção toma conta de mim.
Essa ligação mãe-filho sempre mexeu comigo.


Ônibus a balançar.
Próxima parada, faculdade.
Nesta parada, meus anjos de voz doce se vão.
E nunca mais os ouvirei.

sábado, 11 de abril de 2009

Flor



Regue-me

Pense em mim como se fosse uma flor
Delicada, indefesa
Incapaz de fazer algo por si só
Passiva em seu espaço
Apenas esperando pelo calor do sol
Ou pelo refrescar da chuva

Regue-me
Cuide de mim e irei florecer
Molhe minhas raizes que ficarei, a cada dia, mais vistosa.
Pode minhas folhas
Sinta meu perfume
Retire meus espinhos
Pois assim, não espetarei o seu dedo

segunda-feira, 2 de março de 2009



Não escrevo porque sou covarde.
Escrevo pois não o tenho aqui.
As palavras são a melhor forma que possuo agora.
Elas que me transportam até você, fazem com que tenha seus olhos diante dos meus.
A junção das letras faz com que eu tenha seu rosto entre minhas mãos, seus lábios nos meus, o peso do seu corpo sobre mim.
Simples conjugações verbais transfomram meus sonhos em realidade

"Eu te abraço"
"Você esta ao meu lado"
" Faço carinho em você"

Por outro lado, as mesmas conjugaçõs me trazem à realidade...
Quarto vazio...
Meu braços abraçando no ar
A mão acena no vazio, sem tocar nada

Cadê você... Cadê você....

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Insônia


Mais uma noite insone
Os olhos ardem, num aparente sono
Mas a mente trabalha, fazendo que meu momento de descanso desapareça.

Penso em você
No que pode estar fazendo
Por que nao está comigo essa noite?

Sinto a presença da insegurança
Está ao meu lado
Sopra coisas em meu ouvido

Coisas que não quero ouvir
Que não quero aceitar
Possibilidades que este coração que tanto ama, não pode nem cogitar

Onde está você
Que não o vejo
Por que não está junto a mim?

Encontrou um outro alguém?
Será que cansou?
Já não tenho mais o seu amor?

Não faça isso
Não me faça sofrer
Será que nao percebe?

Que sem você, não durmo
Sem você, não sonho
E sem você, não vivo