segunda-feira, 22 de junho de 2009

Olhei no fundo dos seus olhos
E sorri enquanto os meus marejavam
Tentei buscar o amor que você diz sentir
A importância que falas que eu tenho
Mas não encontrei nem um, nem outro
Te abracei. Queria sentir de novo aquele calor.
Queria me sentir protegida envolta nos seus braços
Aqueles que me disseram por tantas vezes que no fundo tudo daria certo
Que o final seria feliz
Não vejo mais nosso final feliz.
Não acredito mais no nosso final feliz
E isso sangra. Cada poro do meu corpo sai uma gota de sangue
Misturada com a dor de um coração partido
Um coração que força o cérebro a te esquecer
Que tenta esconder o que eu sinto por você
Que numa tentativa inútil e desnecessária não consegue te abandonar
Então me abandone!
Me deixe livre.
Liberte parte da minha alma.
Pois a outra parte foi e sempre será sua
Grite que não me ama mais
Olhe nos meus olhos e ponha um fim nisso
Assim sofrerei tudo que tenho para sofrer
E tentarei viver.
Mesmo sem você.
Mesmo sem o seu amor.

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Queria muito, mas muito mesmo
Que a vida tivesse sido mais justa conosco
Ou que tivéssemos sido mais justos um com o outro.
Confesso que errei. Confesso que cobrei demais de você.
Não guardei minhas emoções, não controlei meus sentimentos
Mas não fiz nada disso de caso pensado
Queria apenas sua atenção
Queria que você me enxergasse
Quis por longos anos o seu amor
E briguei por ele.
MUITO
Talvez da pior maneira. De forma desgastante, dolorida para ambos
Mas lutei por você
Colocar a culpa em você?
Do que adiantaria?
Mas por que você não me abraçou quando precisei?
Por que não me ouviu quando o mundo não queria me ouvir?
Olho para o passado e sabe o que eu sinto?
Dor. Mágoa. Vazio.
Não consigo tirar proveito de nossas experiências passadas
Ainda não sei quem errou mais:
Eu, a criança que tinha muito o que aprender
Ou você, o adulto experiente e vivido.
Não serei hipócrita
Não direi coisas bonitas ou politicamente corretas
Mas você não é meu herói
Muito menos patamar para alguma coisa
Pois nunca quis ser como você.
E muitas coisas suas que estavam de mim, eu simplesmente as apaguei.
Mas a genética está aqui. E isso é inevitável.
Isso não posso apagar.
Está em mim e passarei adiante
Sei perdoar, mas não sei esquecer
Te perdoei por tudo
Assim como você também deve ter feito o mesmo
Mas nós dois e apenas nós dois sabemos que a ferida está lá
Em algum canto dos nossos corações
E que sempre fisgam num dia frio
Mas veja o lado engraçado da vida.
Veja como estamos agora
É difícil acreditar no que vou dizer a seguir, mas...
Sabe qual é a coisa que mais gosto em você?
O fato de você simplesmente não dizer nada
O fato de simplesmente poder ter você do meu lado no carro
Aquele sorriso parado no rosto e nós dois quietos, com óculos escuros na cara
Gosto do nosso silêncio. De não sufocarmos um ao outro.
Dos nossos palavrões. Da nossa ausência de censura.
Dos nossos risos. Da escassez dos nossos poucos e bons momentos.
Então é isso? Envelhecemos e amadurecemos?
Eu não te cobro e aceito o seu tempo
Você não me cobra e espera que eu tome minha decisão
Achamos um equilíbrio, finalmente?
Talvez sim, talvez não
Respotas que só o tempo trará
Tenho certeza apenas de duas coisas:
Por algum motivo a vida nos afastou. Mas eu te amo apesar de tudo.

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Não quero ver ninguém!!
Não quero nada, não quero absolutamente nada!
Quero meu quarto escuro, minha cama quente e meu travesseiro fofo
E chorar


Chorar chorar e chorar
A fim de lavar tudo que está engasgado
Fincado no peito
Preso na alma

Não, na verdade não quero isso.
Não dessa forma solidária.
Quero minha mãe.
A coisa mais manjada e infantil do mundo: EU QUERO A MINHA MÃE

Quero deitar no colo dela, chorar sem parar
Quero lamentar minhas derrotas
Sangrar meu desespero
Rasgar toda a dor que há dentro do meu ser

Quero aquela voz doce me consolando
Aqueles olhos zelosos dizendo que tudo ficará bem
A mão tranquilizante por meus cabelos
O abraço acolhedor, aquele que uma vez envolta nele, ninguém nessa merda de mundo me atingirá

Cansei de fingir ter uma estrutura que não tenho.
Cansei de vestir máscaras.
Nos seus braços eu sou eu mãe!
Sou eu sem condições ou limites!
Sofro! Grito! Esperneio!

E me acalmo.
Volta a racionalidade.
Volta a pessoa que o mundo quer ver.
Mais um dia, mais um teatro.

sexta-feira, 24 de abril de 2009

E o que era sólido ruiu
Esfarelou-se
Virou pó
O inabalável se abalou
Fraquejou, desfez seus laços

E por que?
Me diga, por que?
A resposta cala diante de meus olhos.
As ações me assustam. Por mais que eu minta
Dói
Sangra
Rasga

Mais questionamentos.
Por que???
Por que dói tanto?
Por que incomoda?
Por que faz falta o riso, o abraço?
A cumplicidade, a compreensão?

Estranho não é?
Uma coisa tão recente se tornar tão essencial
Segredos da humanidade
Um desligamento repentino
Uma mundança drástica

Um novo ciclo adiante
Novos laços, talvez?
Que seja feita a sua vontade

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ônibus a balançar.
Pessoas pensam, ouvem música, leem.
Eu leio Machado de Assis.
Grande escritor.
Mais de um século que partiu.
E ainda encanta.
ME ENCANTA.


Ônibus a balançar.
O barulho não me incomoda.
Trânsito, buzinas, transeuntes?
Tampouco.
Meu incomodo é silêncioso.
É íntimo. É interno.


Tento e consigo me distrair com Brás Cubas. Ah Machado de Assis!
Mas algo me puxa para a realidade de forma brutal.
Uma música.
A voz doce atravessa meus ouvidos e finda em meu peito.
Retiro os olhos do livro. Procuro de onde vem aquele som.
Atrás de mim há uma mãe e seu filhinho. Ambos de olhos azuis e rosto sereno. Poderia chamá-los de anjos, se assim quisesse.

A mãe, conta o verso de uma canção, esta que desconheço.
O garotinho, continua aquele aquele mesmo verso, dando sequencia à outro.


A bela mulher nota meu olhar.
Sorrio em sinal de aprovação
Ela sorri de volta.
Deve ter percebido que olhava para eles com emoção.
Pouso os olhos sob o livro.
Quero chorar.
A emoção toma conta de mim.
Essa ligação mãe-filho sempre mexeu comigo.


Ônibus a balançar.
Próxima parada, faculdade.
Nesta parada, meus anjos de voz doce se vão.
E nunca mais os ouvirei.

sábado, 11 de abril de 2009

Flor



Regue-me

Pense em mim como se fosse uma flor
Delicada, indefesa
Incapaz de fazer algo por si só
Passiva em seu espaço
Apenas esperando pelo calor do sol
Ou pelo refrescar da chuva

Regue-me
Cuide de mim e irei florecer
Molhe minhas raizes que ficarei, a cada dia, mais vistosa.
Pode minhas folhas
Sinta meu perfume
Retire meus espinhos
Pois assim, não espetarei o seu dedo